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- Por que temos que treinar nossos frentistas, ministrar cursos e implantar sistemas de Gestão Ambiental? -
 
Explosão em bomba de gasolina fere um na zona sul de SP
São Paulo - A Avenida João Dias, na zona sul da cidade, está totalmente interditada próximo ao número 1.600, no sentido bairro, desde as 9 horas de hoje devido a um incêndio em um posto de combustível. Segundo o Corpo de Bombeiros, cinco viaturas foram encaminhadas ao local. O helicóptero Íguia, da Polícia Militar, também foi acionado para resgatar o frentista que sofreu queimaduras graves, após a explosão de uma das bombas do posto. Ainda não há informaçõs sobre outros feridos.
Toda vez que um frentista abastece um veículo, parte do combustível é desperdiçado no chão, causando contaminaçõs do solo, da água e até mesmo de pessoas. Você, revendedor, sabe onde está sua caixa separadora de água e óleo. Você sabia que ela tem de ser limpa com freqüência por empresa com LO? Tem vistoriado os poços de monitoramento? As bacias de contenção para verificar possíveis vazamentos?

Em busca de soluçõs para evitar tais vazamentos, é realmente necessário que se qualifique a mão de obra do posto revendedor. Cursos têm que ser ministrados todo o tempo junto com treinamento.
Em minhas auditorias e visitas a inúmeros postos de gasolina neste país, graças à  atuação da Fecombustíveis e seus sindicatos que me chamam, hoje tenho um acervo de mais de 8.000 fotos de postos de norte a sul do país. Quase sempre os postos de abastecimento de combustíveis visitados ou aditados apresentam sérios problemas no sistema de descarregamento do produto, armazenamento e, muitos deles, ameaçam diretamente o meio ambiente porque estão em locais onde qualquer vazamento pode atingir as águas subterrâneas.
Os materiais derramados nos vazamentos que ocorrem durante o abastecimento dos veículos pertencem a um grupo denominado BTEX (Benzeno, Tolueno, Etilbenzeno e Xileno). Estes produtos são tóxicos, reconhecidamente cancerígenos, e provavelmente mutagênicos. Eles são carregados pela chuva podendo, assim, contaminar o solo, a água (ao atingir rios), lençóis freáticos e galerias de águas pluviais, prejudicando toda a população.
O mais grave é a possibilidade destes combustíveis atingirem os aqüíferos (reservatório subterrâneo de água) de uma determinada região. Se isto acontecer, a descontaminação é mais um custo para o revendedor. Um poço de água que se venha a contaminar sem que ninguém tome conhecimento, deixará as pessoas que se servem desta água expostas aos componentes altamente tóxicos do combustível e, conseqüentemente, a todas as graves conseqüências que eles acarretam para a saúde humana.

Razão dos Acidentes

Entre as principais causas de escape ou vazamento de combustíveis estão a falha humana durante a descarga do combustível e defeitos de infra-estrutura no tanque. Para reduzir os acidentes, existem algumas alternativas, como a colocação de pavimento impermeável e de caneletas perimetrais para a separação do combustível; e a instalação de tanques de parede dupla (quando for necessário e dentro da classificação de risco da norma da ABNT 13786) - que contêm um líquido entre as paredes que se espalha em casos de corrosão, sendo detectado por um sistema. Mas vale lembrar que essas medidas, no entanto, não anulam os risco de acidentes. O revendedor é o principal interessado em não perder combustível e em evitar acidentes.
O investimento na melhoria das condiçõs de segurança reduziria razoavelmente a probabilidade de ocorrência de um evento potencialmente danoso. Porém, são de suma importância treinamentos, cursos e plano de manutenção do equipamento. E finalmente implantar um sistema de gestão ambiental intergrada com saúde e segurança.
Sem essas providencias o posto revendedor dificilmente sobreviverá a um mercado cada vez mais predador, com as fiscalizaçõs ambientais cada vez mais apertando e, é claro, aos custos decorrentes de qualquer acidente ambiental ou mesmo de segurança.


 

Roberto Roche
é Pós-Doutor em Biogeoquímica Ambiental, Universidade de Aberdeen - Escócia; Doutor em Bioquímica Ambiental, Universidade Católica de Los Angeles-USA; MBA em Gestão Ambiental, Universidade de Harvard-USA; Mestre em Química Ambiental, Universidade do Texas A&M-USA; Ecologia Matemática, Universidade de Maryland/UFRJ-USA; Conselheiro do CONAMA - Conselho Nacional do Meio Ambiente pela CNC/ Fecombustíveis; Auditor e Perito Ambiental junto ao Ministério Público; Membro da Comissão de Certificação Técnica Ambiental para postos de combustível – Comissão Brasileira de Certificação (INMETRO/CONAMA); Membro da Comissão de Saúde, Segurança e Meio Ambiente do Instituto Brasileiro de Petróleo.

 

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